terça-feira, 26 de julho de 2011

Orações Coordenadas

Período simples é aquele constituído de uma só oração.
Período composto é que apresenta duas ou mais orações.

Período composto por coordenação: é aquele formado por orações independentes, que se chamam orações coordenadas.


Oração coordenada assindética é aquela que não tem conjunção, e é justaposta à outra oração ou separada dela por vírgula.
Oração coordenada sindética é a que tem conjunção coordenativa que a liga a outra oração.

·         Aditivas
“anda a pé
Coordenada assindética
e acaba de ser expulso da fazenda Itupu pela polícia.”
Coordenada sindética aditiva

Nesses versos, há duas orações coordenadas ligadas pela conjunção coordenativa aditiva e. A segunda oração é considerada coordenada sindética e estabelece um sentido de acréscimo ou de adição em relação à primeira oração.

As orações coordenadas sindéticas aditivas são introduzidas pelas conjunções coordenativas aditivas: e, nem, não só... mas também, não só... mas ainda, tanto...como etc.

·         Adversativas
Leia este trecho.
[...] O pai desconfiou que ele não aguentaria uma semana, mas calou-se. Conhecia casos de bichos que reagem a situações desesperadoras. [...]
DIAFÈRIA, Lourenço. O imitador de gato. São Paulo: Ática, 2009, p. 30. (Coleção Para gostar de ler). (Fragmento).  

 A oração iniciada pela conjunção adversativa mas (“mas calou-se”) estabelece em relação à oração anterior um sentido contrário, adverso ou oposto. As orações coordenadas sindéticas adversativas são introduzidas pelas conjunções coordenativas adversativas: mas, porém, todavia, contudo, no entanto, senão etc.

·         Alternativas
Leia estes versos de Fernando Pessoa.
[...]
Passam nos ritmos da sombra...
Ora é uma folha que tomba,
Ora uma brisa que treme
Sua leveza solene...
PESSOA, Fernando. Minuete invisível. In: GALHOZ, Maria Aliete (Org). Fernando Pessoa: obra poética. Rio de Janeiro. Nova Aguilar, 1999, p. 135. (Fragmento).

Observe que estas duas orações: “Ora é uma folha... Ora (é) uma brisa” apresentam fatos ou ideia que se alternam. As orações coordenadas sindéticas alternativas iniciadas pelas conjunções coordenativas alternativas ora...ora expressam, portanto, alternância. Algumas vezes, podem expressar também exclusão. Outras conjunções coordenativas alternativas são: ou...ou, quer...quer, seja...seja, já...já etc.

·         Conclusivas
Leia o trecho abaixo.
[...] Cansei. Não dá pé explicar tudo direitinho, parece que a gente está mentindo. Eu não sei falar assim. [...] Aliás, mesmo sou contra tudo que penso. Portanto, ninguém tome ao pé da letra nada do que eu digo. [...]
VELOSO, Caetano. A Ipanemia. In: SANTOS, Joaquim dos (Org.). As cem       melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.p. 199-200. (Fragmento).

Nesse trecho, a oração “Portanto, ninguém tome ao pé da letra nada do que eu digo”, introduzida pela conjunção coordenativa portanto, é coordenada sindética conclusiva em relação à oração anterior, “sou contra tudo que penso”, embora estejam separadas por ponto. Ela expressa uma conclusão a respeito do fato de o narrador ser contra tudo o que pensa.

Funcionam como conjunções coordenativas conclusivas: portanto, pois (após o verbo), por isso, de modo que, logo etc.

·         Explicativas
Leia o trecho de um conto de Luiz Vilela.
[...] Foi num sábado. Quero dizer que se não fosse num sábado, talvez não tivesse acontecido. Porque sábado é um dia violento. Um dia em que as pessoas se sentem muito alegres ou muito tristes. Ele se sentiu muito triste. [...]
VILELA, Luiz. Tarde da noite. São Paulo: Ática, 1988. P. 76. (Fragmento).

A oração “Porque sábado é um dia violenta” é coordenada sindética explicativa, pois expressa uma justificativa, uma explicação para as anteriores. As orações desse tipo são introduzidas pelas conjunções coordenativas explicativas: porque, pois (antes do verbo), que, portanto etc.

Obs.:  A conjunção “pois” se aplica as coordenadas explicativas e conclusivas. Porém na conclusiva a conjunção vem após o verbo. Ex.: Eles brigaram, estão, pois, muito aborrecidos. Nas coordenadas explicativas, a conjunção vem antes do verbo. Ex.: Não fui ao trabalho pois viajei ontem.

Orações intercaladas
São orações independentes que não seguem uma sequência no período.
Ex.: Eureca, pensei naquele instante.

1 – Texto em estudo:

        Tenho uma folha branca
        e limpa à minha espera:
      mudo convite
           
     tenho uma cama branca
      e limpa à minha espera:
    mudo convite

    tenho uma vida branca
       e limpa à minha espera:

CÉSAR, Ana Cristina. Poesia marginal. São Paulo: Ática, 2008, p.33, (Coleção Para gostar de ler. V.39).
  
a)      Observe a liberdade na construção dos versos e o sentido conotativo das palavras, que se repetem de forma quase idêntica.
·         Com que objetivo o eu lírico usou a repetição nesses versos?
·         Por que o verbo tenho parece colocar o eu lírico diante de um impasse?

b)      Na primeira estrofe, o eu lírico sugere a criação literária como uma possibilidade de escolha.
·         Você acredita que o eu lírico aceita (ou pretende aceitar) o convite que  lhe é feito? Justifique.
·      Pense de início em você e, depois, em um escritor, e descreva a sensação de quem precisa ou deseja escrever algo, diante de uma folha em branco.
·         O que pode simbolizar a “folha branca e limpa” que se oferece como um convite?

c)      Na segunda estrofe, o eu  lírico se vê diante de um convite diferente do anterior.
·       O que pode representar esse convite se o considerarmos em contraste com o anterior?
d)     A “vida branca e limpa” que espera o eu lírico, segundo a terceira estrofe, também constitui a escolha que o levará a experiências bem diversas das opções que ele tinha antes.
·         Em sua opinião, o que essa terceira opção pode oferecer ao eu lírico?
e)      A seu ver, por qual desses convites seria mais interessante optar? Esclareça sua resposta.
f)       Releia o poema e responda.
·    Quantas orações há em cada estrofe? Por quê? Portanto, como se chamam os períodos que constituem as estrofes?
·       A que classe gramatical pertence a palavra e empregada nas estrofes? Esclareça sua resposta.
·       Que sentido expressa a palavra e nas estrofes?

Bibliografia:
SARMENTO, Leila Lauar. Português: Literatura, gramática, produção de texto / Leila Lauar Sarmento, Douglas Tufano. 1ª ed. São Paulo. Ed. Moderna. 2010.
Imagem. Tulipas por David Kauffman.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Café da roça com poesia e prosa

14 de julho.com.br

O tempo não passa quando não olhamos no espelho
E quando olhamos...na verdade não adentramos no olhar
As linhas, turvas e traçadas no rosto
Refletem a maturidade
A constância das horas que se vão
Refletem o brilho dos olhos ainda esperançosos
E mesmo que se vai... que passe os 14...os minutos sórdidos ...
Dos que ainda não percebem que todos são...
Estradas... nas linhas nubilosas de cada face...doce tempo
E no limiar das horas... o sorriso do olhar

Entre tantos olhares... passados
Vividos
Em cada instante
Um momento errante
Um certeiro inconstante



Um café
Uma prosa
Uma poesia
Na roça
E tudo é festa
É nascimento
14 de julho


É vida
Festejando
Família
Amor
Filhos
Felicidade plena
14 de julho
Parabéns
.com.br

Cida Pimentel

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Modernismo - Resumo


MODERNISMO – RESUMO

O modernismo foi um movimento literário e artístico do início do séc. XX, cujo objetivo era o rompimento com o tradicionalismo (parnasianismo, simbolismo  e a arte acadêmica), a libertação estética, a experimentação constante e, principalmente, a independência cultural do país. Apesar da força do movimento literário modernista a base deste movimento se encontra nas artes plásticas, com destaque para a pintura.
No Brasil, este movimento possui como marco simbólico a Semana de Arte Moderna, realizada em 1922, na cidade de São Paulo, devido ao Centenário da Independência. No entanto, devemos lembrar que o modernismo já se mostrava presente muito antes do movimento de 1922. As primeiras mudanças na cultura brasileira que tenderam para o modernismo datam de 1913 com as obras do pintor Lasar Segall; e no ano de 1917, a pintora Anita Malfatti , recém-chegada da Europa, provoca uma renovação artística com a exposição de seus quadros. A este período chamamos de Pré-Modernismo (1902-1922), no qual se destacam literariamente, Lima Barreto, Euclides da Cunha,Monteiro Lobato e Augusto dos Anjos; nesse período ainda podemos notar certa influência de movimentos anteriores como realismo/naturalismo, parnasianismo e simbolismo.
A partir de 1922, com a Semana de Arte Moderna tem início o que chamamos de Primeira Fase do Modernismo ou Fase Heróica (1922-1930), esta fase caracteriza-se por um maior compromisso dos artistas com a renovação estética que se beneficia pelas estreitas relações com as vanguardas européias (cubismo, futurismo, surrealismo, etc.), na literatura há a criação de uma forma de linguagem, que rompe com o tradicional, transformando a forma como até então se escrevia; algumas dessas mudanças são: a Liberdade Formal (utilização do verso livre, quase abandono das formas fixas – como o soneto, a fala coloquial, ausência de pontuação, etc.), a valorização do cotidiano, a reescritura de textos do passado, e diversas outras; este período caracteriza-se também pela formação de grupos do movimento modernista: Pau-Brasil, Antropófago, Verde-Amarelo, Grupo de Porto Alegre e Grupo Modernista-Regionalista de Recife.
Na década de 30, temos o início do período conhecido como Segunda Fase do Modernismo ou Fase de Consolidação  (1930-1945), que é caracterizado pelo predomínio da prosa de ficção. A partir deste período, os ideais difundidos em 1922 se espalham e se normalizam, os esforços anteriores para redefinir a linguagem artística se une a um forte interesse pelas temáticas nacionalistas, percebe-se um amadurecimento nas obras dos autores da primeira fase, que continuam produzindo, e também o surgimento de novos poetas, entre eles Carlos Drummond de Andrade.
Temos ainda a Terceira Fase do Modernismo (1945- até 1960); alguns estudiosos consideram a fase de 1945 até os dias de hoje como Pós-Modernista, no entanto, as fontes utilizadas para a confecção deste artigo, tratam como Terceira Fase do Modernismo o período compreendido entre 1945 e 1960 e como Tendências Contemporâneas o período de 1960 até os dias de hoje. Nesta terceira fase, a prosa dá sequência às três tendências observadas no período anterior – prosa urbana, prosa intimista e prosa regionalista, com uma certa renovação formal; na poesia temos a permanência de poetas da fase anterior, que se encontram em constante renovação, e a criação de um grupo de escritores que se autodenomina “geração de 45”, e que buscam uma poesia mais equilibrada e séria, sendo chamados de neoparnasianos.
Principais representantes do Pré-Modernismo e do Modernismo no Brasil:
Pintura: Anita Malfatti, Lasar Segall, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Candido Portinari, Rego Monteiro, Alfredo Volpi;
Literatura: Euclides da Cunha, Monteiro Lobato, Lima Barreto, Augusto dos Anjos, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Alcântara Machado, Manuel Bandeira, Cassiano Ricardo, Carlos D. de Andrade, Cecília Meireles, Vinicius de Morais, Murilo Mendes, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Jorge de Lima, José Lins do Rego, Thiago de Mello, Ledo Ivo, Ferreira Gullar, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Olavo Bilac, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, Ronald de Carvalho, Ribeiro Couto, Raul Bopp, Graça Aranha, Murilo Leite, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Érico Veríssimo;
Música: Alberto Nepomuceno, Heitor Villa-Lobos e Guiomar de Novais;
Escultura: Victor Brecheret;
Teatro: Benedito Ruy Barbosa, Nelson Rodrigues;
Fontes
FARACO & MOURA, Língua e Literatura, vol. 3, 26ª edição, Editora Ática, São Paulo –Sp.
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?…
http://www.rainhadapaz.g12.br/projetos/artes/arte_brasileira/anita_malfatti.htm
http://www.vidaslusofonas.pt/mario_andrade.htm

sábado, 30 de abril de 2011

Um pouco de "Poesia"... Um pouco de "Pessoa"...


Fernando Pessoa


Fernando António Nogueira Pessoa (1888-1935, Lisboa), poeta e escritor português. Pessoa é considerado junto de Luís Vaz de Camões um dos mais importantes poetas de língua portuguesa. [Biografia]


AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Fernando Pessoa

O Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Fernando Pessoa

Referência:

terça-feira, 5 de abril de 2011

Romantismo - 2º ano - Ensino Médio

O romantismo se inicia no Brasil em 1836, quando Gonçalves de Magalhães publica na França a "Niterói - Revista Brasiliense", e, no mesmo ano, lança um livro de poesias românticas intitulado "Suspiros poéticos e saudades".
 O Romantismo apresenta uma característica inusitada: revela nitidamente uma evolução no comportamento dos autores românticos. A comparação entre os primeiros e os últimos representantes dessa escola mostra traços peculiares a cada fase, mas discrepantes entre si. 
No caso brasileiro, por exemplo, há uma distância considerável entre a poesia de Gonçalves Dias e a de Castro Alves. Daí a necessidade de se dividir o Romantismo em fases ou gerações. No romantismo brasileiro podemos reconhecer três gerações: Geração Nacionalista ou indianista; geração do "mal do século" e a "geração condoreira".

A primeira (nacionalista ou indianista) é marcada pela exaltação da natureza, volta ao passado histórico, medievalismo, criação do herói nacional na figura do índio, de onde surgiu a denominação "geração indianista". O sentimentalismo e a religiosidade são outras características presentes. Entre os principais autores, destacam-se Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias e Araújo Porto.

 
Egocentrismo - A segunda (do mal do século, também chamada de geração byroniana, de Lord Byron) é impregnada de egocentrismo, negativismo boêmio, pessimismo, dúvida, desilusão adolescente e tédio constante. Seu tema preferido é a fuga da realidade, que se manifesta na idealização da infância, nas virgens sonhadas e na exaltação da morte. Os principais poetas dessa geração foram Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela.

 
A geração condoreira, caracterizada pela poesia social e libertária, reflete as lutas internas da segunda metade do reinado de D. Pedro II. Essa geração sofreu intensamente a influência de Victor Hugo e de sua poesia político-social, daí ser conhecida como geração hugoana. O termo condoreirismo é conseqüência do símbolo de liberdade adotado pelos jovens românticos: o condor, águia que habita o alto da Cordilheira dos Andes. Seu principal representante foi Castro Alves, seguido por Tobias Barreto e Sousândrade.

 
Duas outras variações literárias do Romantismo merecem destaque: a prosa e o teatro romântico:
"A importação ou simples tradução de romances europeus; a urbanização do Rio de Janeiro, transformado, então, em Corte, criando uma sociedade consumidora representada pela aristocracia rural, profissionais liberais, jovens estudantes, todos em busca de entretenimento; o espírito nacionalista em conseqüência da independência política a exigir uma "cor local" para os enredos; o jornalismo vivendo o seu primeiro grande impulso e a divulgação em massa de folhetins; o avanço do teatro nacional".

 
Os romances respondiam às exigências daquele público leitor; giravam em torno da descrição dos costumes urbanos, ou de amenidades das zonas rurais, ou de imponentes selvagens, apresentando personagens idealizados pela imaginação e ideologia românticas com os quais o leitor se identificava, vivendo uma realidade que lhe convinha. Algumas poucas obras, porém, fugiram desse esquema, como "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida, e até "Inocência", do Visconde de Taunay.

 
Ao se considerar a mera cronologia, o primeiro romance brasileiro foi "O filho do pescador", publicado em 1843, de autoria de Teixeira de Souza (1812-1881). Mas se tratava de um romance sentimentalóide, de trama confusa e que não serve para definir as linhas que o romance romântico seguiria na literatura brasileira.
 Por esta razão, sobretudo pela aceitação obtida junto ao público leitor, justamente por ter moldado o gosto deste público ou correspondido às suas expectativas, convencionou-se adotar o romance "A Moreninha", de Joaquim Manuel de Macedo, publicado em 1844, como o primeiro romance brasileiro.

 Dentro das características básicas da prosa romântica, destacam-se, além de Joaquim Manuel de Macedo, Manuel Antônio de Almeida e José de Alencar. Almeida, por sinal, com as "Memórias de um Sargento de Milícias" realizou uma obra totalmente inovadora para sua época, exatamente quando Macedo dominava o ambiente literário. As peripécias de um sargento descritas por ele podem ser consideradas como o verdadeiro romance de costumes do Romantismo brasileiro, pois abandona a visão da burguesia urbana, para retratar o povo com toda a sua simplicidade.

 "Casamento" - José de Alencar, por sua vez, aparece na literatura brasileira como o consolidador do romance, um ficcionista que cai no gosto popular. Sua obra é um retrato fiel de suas posições políticas e sociais. Ele defendia o "casamento" entre o nativo e o europeu colonizador, numa troca de favores: uns ofereciam a natureza virgem, um solo esplêndido; outros a cultura.
 Da soma desses fatores resultaria um Brasil independente. "O guarani" é o melhor exemplo, ao se observar a relação do principal personagem da obra, o índio Peri, com a família de D. Antônio de Mariz.
 Esse jogo de interesses entre o índio e o europeu, proposto por Alencar, aparece também em Iracema (um anagrama da palavra América), na relação da índia com o Português Martim. Moacir, filho de Iracema e Martim, é o primeiro brasileiro fruto desse casamento.
 José de Alencar diversificou tanto sua obra, que tornou possível uma classificação por modalidades: romances urbanos ou de costumes (retratando a sociedade carioca de sua época - o Rio do II Reinado); romances históricos (dois, na verdade, voltados para o período colonial brasileiro:"As minas de prata" e "A guerra dos mascates"); romances regionais ("O sertanejo" e "O gaúcho" são as duas obras regionais de Alencar); romances rurais (como "Til" e "O tronco do ipê"); e romances indianistas (que trouxeram maior popularidade para o escritor, como "O Guarani", "Iracema" e "Ubirajara").


 SITES DE REFERÊNCIAS: